junho 28 2009

Empresa familiar é uma boa opção na hora de procurar emprego

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Jovens universitários e outros profissionais ainda sonham em trabalhar somente nas multinacionais. Contudo, o que eles desconhecem, é que a

maioria dessas empresas é controlada por familiares

 

São Paulo, 15 de junho de 2009 - É muito comum encontrarmos jovens universitários fazendo cara feia, ou franzindo a testa, quando é cogitada a hipótese de trabalhar em uma empresa familiar. Esta não é uma reação somente dos jovens estudantes, ou dos recém-formados. Muitos profissionais, inclusive aqueles que já estão na luta por um lugar ao sol, resistem na hora seleção em algumas empresas e preferem sonhar apenas com as tais multinacionais.

 Trabalhar em uma empresa familiar não significa colaborar com uma companhia fundo de quintal. Muito pelo contrário, nas economias capitalistas, a maioria dessas empresas se inicia com as idéias, o empenho e o investimento de seus empreendedores e parentes, chegando a patamares invejáveis no cenário econômico mundial.

 O preconceito com empresa familiar remonta à imagem construída sobre este tipo de organização, fortemente associada a um negócio pequeno, administrado apenas pelos parentes, muitas vezes fadado ao insucesso e sem qualquer possibilidade de crescimento profissional das pessoas que não sejam membros da família proprietária. Felizmente, esta imagem está equivocada e isso faz com que poucos acabem sabendo desta verdade.

 Pesquisas internacionais apontam que essas sociedades constituem mais de 90% das empresas em operação no mundo. Contestando esses números, alguns profissionais alegam que as empresas familiares constituem cerca de 60% das organizações mundiais. De qualquer forma, a predominância das empresas familiares no mundo corporativo é incontestável.

 O consultor de empresas familiares e diretor da Societàs Consultoria Pedro Podboi Adachi explica que as organizações familiares movem a máquina da economia mundial, além de tirar os preconceitos sobre estas empresas. “Se perguntar para uma turma de universitários onde querem trabalhar, a maioria prefere uma grande empresa multinacional. Infelizmente, eles não sabem que eliminando as Organizações não Governamentais – ONGs – e as empresas públicas, o restante são empresas familiares”, afirma Adachi.

 “A imagem que a maioria das pessoas faz de empresas familiares são de negócios pequenos e administrado apenas pelos parentes, muitas vezes fadado ao insucesso e sem possibilidades de crescimento profissional para os que não são membros da família”, conta o executivo.

 Observamos exemplos de empresas familiares desde pequenos estabelecimentos como um pequeno bar administrado pela família assim como organizações multinacionais como o Wal-Mart, a maior empresa de faturamento do mundo, ou a Cargill, a maior companhia privada que comercializa produtos básicos e primários, tais como grãos e outras commodities. “Não faltam exemplos de empresas nacionais como o Pão de Açúcar, o Itaú, a Gerdau e a Votorantim, cuja existência em si eleva a importância desse tema”, completa Adachi.

 Sendo assim, a empresa familiar é uma excelente oportunidade de trabalho, mesmo para firmas de pequeno porte. As empresas familiares apresentam diversas vantagens competitivas com relação às empresas não familiares, sendo que algumas desvantagens podem se tornar pontos fortes para essas organizações.

 Entre uma série de pontos fortes, Adachi destaca alguns pontos como agilidade na tomada de decisões; respeito e influência perante a comunidade; disposição dos familiares em investir o próprio capital ou oferecer garantias pessoais para levantas recursos; colaboradores leais e obedientes, entre outros.

 “Não percebendo estas vantagens, muitos universitários, ao torcerem o nariz para empresas familiares, acabam restringindo suas opções para multinacionais, e decidem que devem ingressar em organizações como Ford, Henkel, Lego, Barilla, Bombardier, Danone, The Washigton Post, Cemex, Michelin, C&A, Heineken, Marriot, LG, dentre outras. O que poucos sabem é que todas essas organizações são exemplos de empresas familiares, porém com a família controladora situada fora do Brasil”, finaliza Adachi.

 O consultor define empresa familiar como toda organização na qual uma ou poucas famílias concentram o poder de decisão envolvendo o controle da sociedade e, eventualmente, participam da gestão. Sem restrição quanto à área de atuação da empresa, quanto ao seu tamanho, quanto à formatação jurídica da sociedade ou com relação ao tempo de existência. Com isto, a maioria das organizações em operação no mundo é empresa familiar, podendo ser encontrada em praticamente todas as indústrias e ramos econômicos ao redor do mundo.

 Sobre o consultor

Pedro Podboi Adachi é sócio-diretor da Societàs Consultoria, organização especializada em assessorar empresas familiares em assuntos como planejamento sucessório, governança corporativa e governança familiar. É professor universitário em diversas instituições, palestrante e pesquisador, além de ser autor do livro Família S.A. – Gestão de Empresas Familiares e Soluções de Conflitos.

abril 17 2009

Os US$ 5 trilhões do G20 solucionarão a crise?

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Por Marcos Cintra

 A débâcle mundial surgiu nos EUA. Começou com a desaceleração econômica no país há cerca de dois anos, em 2007. Isto aumentou a insolvência do mercado imobiliário, que havia assumido riscos muito além do que a prudência recomendaria. Tomou proporções alarmantes com a crise de credibilidade financeira, que não deve ser confundida com crise de liquidez, sendo deflagrada pela imperícia das autoridades econômicas do governo Bush, que permitiram a quebra do banco Lehman Brothers.

O sistema financeiro tem efeitos econômicos semelhantes aos das “utilities”, ou serviços do tipo energia elétrica, água e gás. Esses setores, que por suas características específicas compõem a infra-estrutura da economia, não podem deixar de existir, ou quebrar, sejam eles público ou privado, sob pena de aniquilar toda a produção. Os bancos são semelhantes. Irrigam o sistema produtivo. A ausência de crédito, quase tanto como a falta de energia elétrica, paralisa a atividade econômica.

A barbeiragem dos norte-americanos foi permitir que um setor estratégico como o financeiro, cujos fundamentos estão assentados na credibilidade, confiabilidade e solidez, ficasse com sua imagem comprometida. Isto se deu pela quebra do Lehman Brothers, dando início à crise sistêmica que se alastrou pelo mundo globalizado. As expectativas se deterioraram, os empresários se retraíram e a liquidez passou a valer mais que a rentabilidade. Os investimentos cessaram, o comércio externo e o crédito encolheram e a retração econômica se instalou.

 Três perguntas estão no ar. 

1-) A injeção maciça de cinco trilhões de dólares (como anunciado ontem no G-20) resolverá o problema? Os governos estão injetando liquidez na veia da economia, diretamente, através de aumento de gastos públicos, não importando quais, desde que o dinheiro seja abundante e disponível.

 Tais medidas ajudam a superar a recessão, como qualquer aumento de liquidez em qualquer fase do ciclo econômico faria para aumentar a demanda agregada. Mas, isto não vai ao cerne da questão que é a recuperação da credibilidade dos bancos. E parece que o mundo está dando cabeçadas sobre como restaurar a confiabilidade do sistema financeiro. Sobra liquidez, mas empoçada porque falta confiança.

 O governo Barack Obama percebeu que a mera injeção de liquidez não resolveu o problema. E agora volta ao projeto inicial de Bush, propondo a limpeza dos balanços dos bancos mediante compras de ativos tóxicos Mas será que os bancos venderão esses títulos? Afinal, muitos desses papéis estão escriturados por valores históricos, pois a marcação a mercado não é universal nos EUA. A venda de títulos abaixo do valor escriturado evidenciará a fragilidade que os bancos tentam esconder, e agravará ainda mais a perda de confiança que os ameaça. O Plano Obama ainda é uma incógnita.

 2-) Quais os efeitos dessa inundação de liquidez? A ciência econômica ainda não rejeitou o fato de que a inflação é um fenômeno monetário. Assim sendo, o que nos espera no futuro? A liquidez aumenta, os déficits públicos explodem, o tamanho do setor público cresce a cada dia. Voltaremos aos anos 1970 e 1980, com inflação crescente, baixo crescimento, instabilidade, insolvências em cadeia e governos inchados?

 O pêndulo uma hora irá para o outro extremo, com políticas fiscais e monetárias restritivas e baixo crescimento. Contudo, o que mais perturba é pensar que esse preço alto que o mundo pagará pelo expansionismo monetário atual poderá ser em vão se a crise de confiança no sistema financeiro não for urgentemente sanada.

 3-) Uma terceira dúvida é se a maciça injeção de liquidez será eficaz para aumentar a demanda agregada e dar início ao crescimento da produção e do comércio internacional. Certamente o efeito será positivo. Mas poderia seria mais eficiente cortar impostos ao invés de elevar os gastos. O impacto expansionista da elevação das despesas governamentais é maior, no curto prazo, do que o da redução de tributos. Contudo, a propensão a consumir dos agentes econômicos é uma função de sua renda permanente. Aumentos de renda vistos como pontuais e passageiros, como gastos públicos emergenciais, têm baixa propensão marginal a consumir, enquanto que a percepção de aumento de renda permanente, derivada de cortes de impostos, torna-a mais elevada.

 Os gastos públicos maiores são percebidos como não-sustentáveis a longo prazo, e serão seguidos por períodos de contenção fiscal. Isso faz com que a renda adicional gerada pelas despesas governamentais seja em boa parte poupada, e menos consumida do que se fosse um aumento de renda permanente, como ocorreria se a governo adotasse um corte uma política de contenção tributária continuada.

 Como política de expansão econômica, os governos mundiais deveriam fazer um grande esforço para reduzir impostos. Dado um mesmo déficit público, é melhor que ele seja produzido por cortes de impostos do que por aumento de gastos.

 Fonte: Gazeta Mercantil- online



Professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas (FGV). Próximo artigo do autor em 5 de maio.